Mudar também é uma questão de fé

Uma das palavras-chave da fé cristã é “mudança”. Cremos que todo ser humano pode mudar de vida a partir de uma experiência pessoal com Jesus Cristo. Cremos que a sociedade pode mudar com a influência dos cristãos agindo como sal e luz e vivenciando os valores aprendidos na Bíblia. Cremos que a vinda de Jesus Cristo ao mundo “mudou a história”, inaugurando um novo tempo que pode ser visto através do “antes e depois” de Cristo. Mas ninguém disse que mudar é fácil.
A mudança pessoal ou da sociedade tem um preço alto que depende de investimento e muita vontade. Ninguém muda se não desejar mudar; e, quando desejar, vai precisar trabalhar muito para conseguir. Isso porque estamos falando de mudanças profundas que envolvem não apenas um comportamento, porém também caráter. Mudanças que exigem uma nova maneira de pensar, de enxergar a vida e até mesmo de reconstruir a própria história. Robert Quinn escreveu que essas mudanças “requerem que as pessoas desenvolvam novas expectativas… abandonem as antigas suposições e adotem todo um novo conjunto de premissas… comecem a ver, sentir e pensar diferente… e passem a agir diferente também”. (Quinn, Robert. O Processo da Mudança. Edição do Kindle). Desenvolver, abandonar, adotar, ver, sentir e pensar são ainda palavras próprias da mudança e, se prestar bastante atenção, as encontrará inclusive no vocabulário da fé cristã. Elas se complementam. A fé que produz experiências de mudança é a mesma que nos faz abandonar maus hábitos, por exemplo, ou que nos leva a pensar de uma maneira nova ou até a sentir coisas que nunca habitaram nosso coração. Mudar também é uma questão de fé.
Eu quero mudar. Entretanto, também preciso crer na possibilidade de mudança. Confiar que ela acontecerá. Ter planejamento para mudança, mas também fé na mudança. Fé em Deus. Trabalho e também oração. Mudar não é apenas realizar uma série de tarefas; é inclusive entregar a Deus muitas expectativas e pedir que Ele abençoe processos, mude corações e mentes, fazendo acontecer o que eu, por mais que queira, não consigo. E aí é bom lembrar uma outra palavra que faz parte do vocabulário cristão: esperança. A fé promove esperança; como bem diz a Bíblia, “a esperança não nos decepciona” (Romanos 5:5). Que a esperança que não decepciona nos motive a confiar em Deus cada vez mais e a depender dele para os processos de mudança que encaramos em todas as áreas da vida.

Pr Guilherme de Amorim Ávilla Gimenez