A crise de fé dos nossos filhos

O menino foi criado na igreja, aprendeu todas as histórias bíblicas e decorou muitos versículos. Também cresceu convivendo com outras crianças que eram ensinadas do mesmo modo. Mas agora está vivendo uma crise de fé, até já disse que não crê em Deus.

A narrativa acima é muito mais comum do que imaginamos. Infelizmente muitos pais piedosos estão enfrentando o duro golpe de perceber que seus filhos não creem em Deus como eles.

Eu poderia citar vários e vários casos em que isso aconteceu. Fui líder de adolescentes e jovens por duas décadas, tenho um filho adolescente e convivo de perto com essa geração. Já vi esse quadro ser pintado inúmeras vezes.

Isso não faz de mim um expert. Estou no mesmo barco desta geração de pais que não entendem o que está acontecendo com os filhos. É uma situação extremamente difícil, pois estamos no meio de uma inédita transição de épocas.  Mas, se faço parte do grupo de pais que não compreendem o que está acontecendo para que os filhos cheguem ao ponto de negar a fé em Deus, o que eu posso ensinar para, ao menos, ajudar alguns?

Sendo muito sincero, não sei se tudo dará certo se você seguir os conselhos que darei abaixo. Mas tenho uma forte impressão de que há uma enorme chance de tudo dar errado, se você desprezá-los.

Então, vamos lá, o que você deve e o que você não deve fazer para alcançar a meta de transmitir ao coração dos seus filhos uma fé sólida em Jesus:

  1.  Seja uma inspiração para eles. Que sua vida espiritual os inspire. Que eles percebam sua paixão por Cristo. Eles precisam ver você buscando e servindo a Deus. O pior legado que você pode deixar aos seus filhos é o exemplo de uma vida cristã mais ou menos. Então, seja realmente apaixonado por Deus, por sua Palavra e pela Igreja. Eles buscam e precisam de paradigmas de fé para que sintam o desejo de ter suas próprias experiências com Deus.
  2.  Seja um exemplo de integridade. Passe um aplainador em todas as incoerências entre a sua fé e a sua prática. Meu filho de oito anos, esses dias, me exortou porque passei no sinal vermelho. Pedi perdão e prometi não fazer mais isso. Se você deseja que seus filhos sejam amorosos e gentis, não pode viver aos berros dentro da sua casa. O seu exemplo sempre falará mais alto que suas palavras. Assim, que haja coerência entre seu discurso e suas ações.
  3.  Hoje em dia, os adolescentes não estão tão preocupados com as mesmas questões que povoavam nossa cabeça quando tínhamos a sua idade. Eles já ouviram muito sobre o namoro cristão, o relacionamento com os pais, a importância de dar um bom testemunho diante dos amigos, entre outras questões assim. Sua cabeça tem inquietudes maiores. Eles querem respostas sobre como chegamos aqui, como o universo foi formado, qual nosso papel na vida. Ou seja, as grandes questões existenciais ocupam seus pensamentos. Isso tem acontecido porque eles têm sido bombardeados com esses temas na escola. Por isso, leia, estude, informe-se. As perguntas que eles trazem em sua mente não são simples. Você deve estar preparado para ajuda-los a atravessar essa fase em que sua fé é colocada em xeque.
  4.  Siga o exemplo do movimento que fazemos quando soltamos uma pipa, puxe e solte de acordo com a percepção de como está o vento. Não seja um pai que só dá linha e solta. Não seja uma mãe que só puxa e exige. Peça sabedoria para Deus e aprenda a ser firme e, ao mesmo tempo, profundamente amoroso. Eles precisam aprender a serem responsáveis, mas também precisam perceber que são amados. Analise se a dosagem de exigências está certa. Veja se a porção de carinho está sendo suficiente. Tão importante quanto o comportamento que eles terão é o que está no secreto dos seus corações. De que adianta prepara-los para terem sucesso se eles se perderem de você?
  5.  Ore, ore e ore. Essa será sua ação mais importante. Ore por seus filhos. Acorde de madrugada, vá ao seu quarto e coloque a mão em suas cabeças. Abençoe-os, clame ao Senhor por eles.  Peça que Deus tenha misericórdia de sua família. Sem Deus nós estaremos “num mato sem cachorro”. Confie no Senhor, dependa dEle. “A oração de um justo é poderosa e eficaz.”

Espero, desejo e oro para que, lá na frente, as boas sementes de Deus que plantamos no coração dos nossos filhos dê frutos para a glória do Senhor. Que os filhos que se afastaram do Pai e dos pais, retornem para casa. Confio que nosso trabalho não é vão e que a Palavra de Deus jamais volta vazia. Ela sempre alcança os fins a que se presta.

E uma afirmação final de ânimo. Apesar de tudo, nós sabemos que Deus é bom e que Ele ama nossos filhos mais que nós mesmos. Descanse o seu coração nesta certeza.

Abração.

Pastor Clóvis Jr., casado com Juliana e pai do Leonel, com quinze anos e do Guilherme, com oito anos.